segunda-feira, 5 de maio de 2008

Casa e comida. Um sonho quase possível

Vender coco, uma boa opção para quem está desempregado

Conceição luta pela sobrevivência
fazendo doces, milho verde cozido
e picolé, e nas “horas vagas”, vende
coco na praia


Ela se encontrava assentada numa cadeira de plástico branca, velha, recostada num muro chapiscado de um prédio de apartamentos. Olhar triste, rosto pálido, mão cruzadas junto às pernas, parecia desligada, num outro mundo. Talvez num mundo diferente onde não houvesse diferenças sociais, onde pudesse ter à mesa as melhores comidas e alimentar os próprios filhos. Seu rosto estava pálido em conseqüência de uma internação. Ela saiu do hospital há uma semana e está convalescente. Senta-se para descansar um pouco, entre um freguês e outro.

Ajuda o marido Francino no atendimento aos clientes. Eles vendem coco na praia se deslocando, vez por outra à procura de onde tiver mais movimento e mais fregueses. Ainda fraca, trabalhava no carrinho de coco. “Vim devagar, parando de vez em quando para descansar. Não carreguei o carrinho”, disse Conceição com um sorriso. Quando não está com o marido vendendo coco, faz cocada, doce de leite, pastel, pé-de-moleque e chupe-chupe* de coco verde. Vende também milho verde cozido.

Maria da Conceição Alves, 40, nascida em Sete Lagoas – MG, veio de Belo Horizonte, junto com o marido e filhos para morar em Vitória. Há seis anos deixou a capital mineira para ganhar a vida. Mora numa casinha de quarto e sala em Andorinhas, um bairro de Vitória. Seu sonho é comprar sua casa própria. “Se com o dinheiro que eu pago o aluguel eu tivesse pagando a prestação da minha casa, já estaria quase terminando. E ela seria minha”, confessou a vendedora de coco. Na busca pela casa própria, ela foi até o projeto Terra, mas não conseguiu se inscrever porque o financiamento era para o material de construção, para quem já possuísse o terreno.

Apartamento. A Prefeitura de Vitória está com um projeto de recuperação de prédios no centro da cidade. O projeto irá atender famílias de baixa renda. Sabendo disso, ela fez inscrição para compra do um apartamento. Preencheu uma ficha de cadastro na Casa do Cidadão e aguarda o resultado.
Conceição vive com o marido e quatro filhos. Eles também ajudam na renda familiar. A filha, Evelina Alves, 19, cuida de crianças cujos pais trabalham o dia todo, e ganha cem reais por mês. A outra filha trabalha numa lojinha de doces, no seu bairro. Os dois filhos, um de quinze anos e o outro de vinte, fazem biscate*.

Conceição sonha com os filhos na faculdade. Para isto pretende colocá-los no cursinho “Universidade Para Todos”, um projeto da Ufes que visa ingressar alunos carentes no ensino superior. Seu sonho da casa própria ainda não morreu. Ela diz que “ainda vai conseguir”.

“Vim devagar, parando de vez em quando
para descansar. Não carreguei o carrinho”.



*Biscate – trabalho informal.
*Chupe-chupe – espécie de picolé dentro do saquinho de plástico.

O trabalho informal é uma solução para o desemprego

Francino Morais Alves, 41, é marceneiro. Veio de Belo Horizonte há seis anos convidado para trabalhar numa loja de móveis, em Vitória. Quando foi demitido, não encontrando trabalho, com os quatro filhos menores e a mulher para sustentar, resolveu vender coco. Com um carrinho de mão, andava a praia de Camburi, debaixo de um sol de quase quarenta graus. Com muita economia conseguiu comprar uma máquina de gelar e montar um carrinho para transportar e vender o coco. Foi uma grande vitória.

Apesar das dificuldades encontradas gostou da nova profissão. No verão, vende de 120 a 130 cocos diariamente, tendo um bom lucro. No inverno, com o baixo rendimento, tem o apoio da mulher Conceição e de seus quatro filhos. Sai com o carrinho e vende milho verde cozido.
Transporta o coco no carrinho. “É pesado. Mas é tudo de precisão”, diz Alves enquanto fura vários cocos e coloca numa vasilha para gelar. Chegou com cento e vinte cocos e ao final da tarde, vendeu tudo e leva para casa a féria do dia. Trabalha de 9:00 às 21:00horas.

Hoje, recorda das dificuldades que passou, quando os filhos ainda eram pequenos. Verifica quantas coisas mudaram em sua vida, quantas coisas conquistou. Foram anos de dificuldades, mas também de alegrias em família. Francino é um lutador que combate com a arma que tem: o trabalho.

Coluna da Quitéria

O Boom da construção

Preços altos de imóveis dificultam a aquisição da casa própria

O sonho da casa própria é bem real para um casal recém-casado ou o indivíduo que pretende morar sozinho. No Espírito Santo, este sonho está ficando cada vez mais distante para as pessoas de baixa renda por causa do aumento do preço do imóvel. Para quem tem uma renda alta é hora de investir.

Os imóveis na Grande Vitória tiveram um aumento de mais de 100%. Quem comprou seu imóvel há dois anos por R$150 mil, certamente verá que hoje vale o dobro do preço inicial. A cada dia aparecem novos lançamentos de edifícios de apartamentos ou escritórios e grandes construtoras se instalaram no Estado aproveitando esta alta dos preços.



Seminário sobre folclore

O seminário preparatório para o Congresso Nacional de Folclore aconteceu na sala Décio Neves da Cunha, na Ufes, nos dias 11 e 12 últimos. O tema foi Folclore no Terceiro Milênio. Os palestrantes apresentaram trabalhos sobre meio ambiente, indígenas, folclore, comunidades quilombolas e políticas públicas para o folclore. O objetivo do seminário foi elaborar temas, debates e procedimentos que serão apresentados no XIV Congresso Brasileiro de Folclore a ser realizado em 2009, em Vitória.
Este evento foi elaborado pela Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo e pela Comissão Espírito-Santense de Folclore. Estiveram presentes intelectuais do Espírito Santo e de outros estados.



O Balaio do Folclore Capixaba

Para complementar os eventos, o Governo do Estado, com o patrocínio da Vale e apoio da Comissão Espírito-Santense de Folclore, realizou no dia 12 de abril, no Museu Vale em Vila Velha – ES, o Balaio Cultural – uma mostra do Folclore Capixaba. Raças, culturas, danças e tradições se uniram no mesmo lugar. Cores e movimentos embalaram as apresentações do Ticumbi do Alardo, do Congo, da Folia de Reis, do Jongo, do Reis de Boi, das Pastorinhas, do Boi Pintadinho e outras manifestações de imigrantes europeus como danças alemãs, portuguesas e italianas. As tradições passadas de geração a geração, patrimônio imaterial do Estado, foram motivos de alegria, admiração e palmas entre as centenas de pessoas que assistiam.


Palavras valem ouro

Têm palavras que valem muito. Podem derrubar um governo ou elevar as ações de uma empresa. Foi o que aconteceu nesta semana. O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, afirmou que foi descoberta uma reserva de petróleo na bacia de Santos com estimativa de produção de 33 bilhões de barris de óleo. Com isto o Brasil passaria a ser o terceiro maior produtor do mundo. A notícia foi publicada em um jornal americano e no jornal Estado de São Paulo, As ações da Petrobrás subiram com a afirmação. "O pessoal vinculado à Bolsa de Valores não está interessado nisso. Querem ganhar dinheiro", afirmou Lima, numa referência à reação no mercado de ações, em decorrência de suas declarações no jornal.

Deputado Cláudio Vereza no Balaio
Personalidades e intelectuais do Estado estiveram presentes ao Balaio Cultural. O Deputado Estadual e ex Presidente da Assembléia Legislativa, Cláudio Vereza (PT), esteve presente e assistiu com atenção às apresentações. Em entrevista, afirmou a boa vontade da Assembléia Legislativa em aprovar aquele evento. Falou também que se for bem aceito, certamente, se repetirá. As apresentações foram muito elogiadas pelo público.

Entretanto, a mostra de Folclore realizada no Museu Vale não ficou só na cultura. A preocupação com o estômago levou os organizadores a oferecer lanches para o povo. Mesa de churrasquinho de boi, frango e lingüiça, coquetéis, refrigerantes, picolé e pipoca, alegraram o público e os participantes.



”O espaço público parece um espaço de ninguém, porém é um espaço de todo mundo.”
Roberto Rocco - Ambientalista, Diretor da Associação de Serviços Ambientais – ASA e Conselheiro da Fundação OndAzul.



O profissional globalizado

O intercâmbio como opção de crescimento pessoal e na empresa

Cada vez cresce mais o número de profissionais que optam por fazer intercâmbio através da empresa onde trabalham. O que os atrai é a chance de conhecer outras culturas, aprender outras línguas, operar em um novo mercado e ampliar seus conhecimentos. Através desta mobilidade, a empresa exporta mão-de-obra e tecnologia, integrando as unidades do grupo. Para o funcionário, o ponto positivo é que ele terá um bom padrão de vida no exterior. Aqui, no Espírito Santo, empresas como Arcelor Mittral (CST), Vale e Samarco têm utilizado esta prática para melhorar o desempenho de alguns funcionários.
O fenômeno da migração de brasileiros para o exterior é recente e a maioria vive em condição de ilegalidade nos países de destino. Há poucos dados e estudos sobre o tema. Estados Unidos, Paraguai e Japão são os países que possuem maior número de brasileiros e o perfil do migrante difere em cada um destes locais.
Até a década de 1980, a saída de brasileiros para viver em outros países era bastante restrita, sendo significativa apenas a migração para o Paraguai, nos anos 1970, em busca de terra e trabalho no campo. A crise econômica da década de 1980 estimulou a migração de brasileiros para o exterior, fenômeno que permanece até hoje. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, em 1997 havia 1.496.476 brasileiros vivendo no exterior. No ano de 2002, os migrantes já somariam 1.964.498. Portanto, cerca de 2 milhões de brasileiros vivem fora do Brasil, correspondendo a 1% da população brasileira.
Entre estes migrantes, encontram-se profissionais qualificados que vêem no intercâmbio uma forma de adquirir mais conhecimento. Para se desenvolver pessoal e profissionalmente, executivos de empresas multinacionais têm optado por morar no exterior. O programa de mobilidade através de intercâmbio, implantado por algumas empresas, dão a estes funcionários a chance de se desenvolver como gestor, trabalhar na diversidade e adquirir visão internacional. Para ter êxito nesta empreitada, ele precisa ter boa formação técnica, um inglês fluente, gostar de mudanças e ter facilidade de adaptação, flexibilidade e equilíbrio familiar – é importante que a família esteja de acordo. Conhecer bem a sua empresa e se informar sobre o país para onde vai, ajuda na mudança.

Para a empresa, este intercâmbio é uma forma de integrar os escritórios, possibilitando a troca de informações entre eles. O mercado está carente de profissionais que tenham visão e estejam dispostos a mudanças. A empresa investe na capacitação do funcionário para que ele renda mais. Muitos funcionários de empresas capixabas têm aderido a esta forma de intercâmbio através da Arcelor Mittral (CST), Vale e Samarco. Bom para a empresa.

Com um bom padrão de vida, apoio da empresa e junto aos familiares, estes executivos se desenvolvem, adquirem bagagem internacional e ascensão na carreira. Bom para o profissional.

Os dados estatísticos do Ministério das Relações Exteriores falam do número de brasileiros que moram no exterior, sem especificar o número dos que vão pela empresa e os migrantes ilegais. Sabemos, portanto que o número de pessoas que moram ilegalmente fora do Brasil é muito maior do que dos que vão legalmente pela empresa onde trabalham. Estes brasileiros ilegais têm um padrão de vida bem diverso. Vivem longe da família, trabalham em sub-empregos por 14 a 16 horas diárias, não possuem lazer e vivem temerosos de serem descobertos e deportados. São situações diversas, porém ambos possuem o mesmo sonho: a busca por uma vida melhor.

O prazer de um bom papo

Correndo, debaixo da chuva, lá ia eu ansiosa por ver Nelson Motta. Chego à porta do Teatro Carlos Gomes, olho em volta e não vejo minhas colegas Sandra e Gabriela. O trato foi que nos encontraríamos à porta. Olho novamente: ninguém. Rapidamente, entro. Já são sete e meia da noite. Fui pontual. Será que o Nelson será?

Não importa. O importante é poder vê-lo e ouvi-lo. Entro, olho em volta. Procuro um lugar bem perto do palco, quero vê-lo de perto. Olho para trás: ninguém. Elas ainda não chegaram. Será que elas não vêm? Pego o MP3: coloco a pilha e preparo o modo de gravação de som. Espero. Cruzo as pernas, descruzo. Olho o palco, olho para trás. Mexo na bolsa, passo as mãos no cabelo. Que coisa! Que demora! Já se passou um século! Olho o relógio. Só se passaram cinco minutos. Neste mexe, remexe, passa meia hora. A mestra de cerimônia anuncia: - Com vocês, o Nelson Motta. A galera foi abaixo. Foram tantos aplausos que parecia uma banda de rock muito famosa. E ele é mesmo muito famoso. Famoso e carismático. Famoso e sorridente. Famoso com sua camisa de malha vermelha e calça preta.

Testa o microfone: toc, toc. Não funciona. Meu Deus, que vergonha! Chamamos o homem para vir palestrar aqui e o microfone não funciona! Bem humorado ele diz: - É cenográfico. O povo cai na risada. O auditório lotado vê um homem inteligente e carismático discorrer sobre música, festivais, autores e histórias engraçadas de sua própria vida. O povo aplaude e ri a cada fato hilário. Perdeu as ilusões em Nova York. Que pena! Mas foi muito bom. Ah! Não foi classificado para o primeiro festival em 1960. Que Pena! Mas ganhou o Festival Internacional da Canção, concorrendo com músicos do Brasil e do mundo. Que bom!

Fala de seu livro sobre a vida de Tim Maia. Que vontade de ler. – “Fala mais sobre ele”, penso. Não diz mais nada do livro. Ele fala, fala, fala e nós, pobres mortais ficamos apenas a ouvir.

Afinal, cadê minhas colegas? Esqueci delas. Olho pra trás. Não vieram. Perderam uma grande chance de passar duas horas muito divertidas.

domingo, 4 de maio de 2008

Uma mulher de talento


A coragem de uma mulher vencendo todas as barreiras para viver uma nova vida

Olhos rasgados, cabelos tão lisos que não é preciso pentear – não possui pente – fala mansa, tranqüila. É a figura de minha colega de sala. Com a coragem dos (as) grandes homens/mulheres, decidiu mudar completamente sua vida. Mudou de estado, de cidade, abandonou a profissão e se meteu na faculdade de jornalismo, cheia de sonhos e perspectivas. Dúvidas? Tinha muitas, mas resolveu correr riscos. Andou muito para conseguir um lugar para morar. Finalmente conseguiu bem perto da faculdade, aonde vai a pé.
Sandra Lupi Sato é japonesa, nasceu em São Paulo, mudando – se para Belo Horizonte aos 05 anos. Seu pai havia montado uma fábrica de bobinas na capital. Tem dois irmãos mais velhos: um mora em São Paulo, outro no Japão. Aos nove anos ingressou no curso de balé clássico, trabalhando em diversas companhias. Fez apresentações na América Latina, na Argentina, e Paraguai, e na Europa - Espanha e Portugal. Enquanto dançava iniciou a Faculdade de Psicologia. Aos 22 anos, aposentou-se da dança, abriu uma firma de comunicação empresarial on-line e uma sociedade numa produtora que dava assistência a músicos.
Há 04 anos atrás, resolveu passar 10 dias de férias na praia de Guarapari. Três meses depois resolveu residir definitivamente no Espírito Santo. Vendeu as firmas e voltou à Belo Horizonte apenas para buscar suas coisas. Abriu um ponto de suco natural e entrou para a faculdade.
Hoje, estagiando na Faesa, só sente falta dos cachorros que ficaram em Minas e dos famosos cafés.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Lula X Rambo – O embate do século

Sr. Presidente, tenho acompanhado o seu desempenho à frente do governo brasileiro e por vezes fico espantada e curiosa. Muitos escândalos aconteceram durante o seu governo, como o mensalão e os cartões corporativos. A mídia não se cansou de divulgar e o assunto era alvo de discussões acirradas entre a população. Questionavam as ações de seus “companheiros e companheiras” no maior escândalo sobre corrupção no país.

Então, abro o Globo.com, jornal on-line, e me deparo com uma pesquisa realizada entre os dias 19 e 23 de março pelo Ibope, onde diz que sua taxa de aprovação como presidente é de 73%. Sei que em 2003, logo após sua posse, o índice era de 75%. Mas naquela época, o povo estava sonhando, esperando o “salvador da pátria”. Feliz por eleger um homem do povo. Como se explica este índice tão elevado depois de todos estes escândalos? Carisma? Bom desempenho econômico? Projetos sociais? Ou apenas papo furado e um bom discurso?

A pesquisa encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), consultou 2.002 pessoas em 114 cidades de todo o país. Mesmo com uma margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado foi muito além do esperado. Dos entrevistados, 68% disseram confiar no presidente e somente 28% que não confiavam. A enquete foi realizada com um público diverso: população de baixa renda e classe média. Será que o povo do sertão nordestino, que mora numa região onde quase nunca chove, que come calango no almoço foi consultado? Será que a vida deste trabalhador teve alguma mudança significativa para que ele possa opinar?

Me pergunto se a sua popularidade é por causa da política econômica, com a inflação controlada ou se confiam no homem Lula, independente do cargo ou partido. Mesmo aprovando a política de combate à alta dos preços e desaprovando a taxa de juros e a carga tributária, o brasileiro ainda confia. A proposta de reforma tributária pode ter ajudado a diminuir a desaprovação no setor econômico, porém se ela vai melhorar o país não sabemos, mas o povo (40%) acredita que vai acelerar o crescimento.

Quando um filme faz muito sucesso, os diretores fazem outras versões, como Rambo I, II e III. Porém, o primeiro sempre é melhor. O Ibope comparou seus dois mandatos e o resultado foi que 42% dos entrevistados consideraram o atual governo melhor que o primeiro; 16% que está sendo pior e os demais não viram diferença. Pelo visto, o povo considera a nova versão do seu governo ainda melhor que a primeira. Os diretores de filmes de Hollywood devem estar loucos para descobrir a fórmula mágica de se fazer isto.

Rambo era forte e poderoso, mas sucumbiu nas versões posteriores. Na arena, enquanto os adversários procuram um meio de diminuir a sua popularidade, você continua no alto, cada vez mais forte, de pé, recebendo os louros de um grande estadista. Neste embate não há vencedores nem vencidos. Somente a história vai dizer se realmente o seu governo foi bom ou se não passou de uma ilusão, de um sonho do povo brasileiro. Lula X Rambo – O embate do século



Sr. Presidente, tenho acompanhado o seu desempenho à frente do governo brasileiro e por vezes fico espantada e curiosa. Muitos escândalos aconteceram durante o seu governo, como o mensalão e os cartões corporativos. A mídia não se cansou de divulgar e o assunto era alvo de discussões acirradas entre a população. Questionavam as ações de seus “companheiros e companheiras” no maior escândalo sobre corrupção no país.

Então, abro o Globo.com, jornal on-line, e deparo com uma pesquisa realizada entre os dias 19 e 23 de março pelo Ibope, onde diz que sua taxa de aprovação como presidente é de 73%. Sei que em 2003, logo após sua posse, o índice era de 75%. Mas naquela época, o povo estava em sonhos, esperando o “salvador da pátria”. Feliz por eleger um homem do povo. Como se explica este índice tão elevado depois de todos estes escândalos? Carisma? Bom desempenho econômico? Projetos sociais? Ou apenas papo furado e um bom discurso?

A pesquisa encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), consultou 2.002 pessoas em 114 cidades de todo país. Mesmo com uma margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado foi muito além do esperado. Dos entrevistados, 68% disseram confiar no presidente e somente 28% que não confiavam. A enquete foi realizada com um público diverso: população de baixa renda e classe média. Será que o povo do sertão nordestino, que mora numa região onde quase nunca chove, que come calango no almoço foi consultado? Será que a vida deste trabalhador teve alguma mudança significativa para que ele possa opinar?

Me pergunto se a sua popularidade é por causa da política econômica, com a inflação controlada ou se confiam no homem Lula, independente do cargo ou partido. Mesmo aprovando a política de combate à alta dos preços e desaprovando a taxa de juros e a carga tributária, o brasileiro ainda confia. A proposta de reforma tributária pode ter ajudado a diminuir a desaprovação no setor econômico, porém se ela vai melhorar o país não sabemos, mas o povo (40%) acredita que vai acelerar o crescimento.

Quando um filme faz muito sucesso, os diretores fazem outras versões, como Rambo I, II e III. Porém, o primeiro sempre é melhor. O Ibope comparou seus dois mandatos e o resultado foi que 42% dos entrevistados consideraram o atual governo melhor que o primeiro; 16% que está sendo pior e os demais não viram diferença. Pelo visto, o povo considera a nova versão do seu governo ainda melhor que a primeira. Os diretores de filmes de Hollywood devem estar loucos para descobrir a fórmula mágica de se fazer isto.

Rambo era forte e poderoso, mas sucumbiu nas versões posteriores. Na arena, enquanto os adversários procuram um meio de diminuir a sua popularidade, você continua no alto, cada vez mais forte, de pé, recebendo os louros de um grande estadista. Neste embate não há vencedores nem vencidos. Somente a história vai dizer se realmente o seu governo foi bom ou se não passou de uma ilusão, de um sonho do povo brasileiro.

Concurso – Onde está a graça?

Concurso – Onde está a graça?


Você está desempregado ou procura um trabalho que seja seguro e tenha estabilidade? O seu salário não é muito bom e você trabalha tanto que à noite ainda sonha com ele? Seu chefe é autoritário e trata você como um lixo? Você tem uma saída: pegue seus documentos enfrente uma “pequena” fila e faça um concurso. No meu caso não foi tão exagerado assim. Eu sou concurseira por natureza. Em alguns, eu passei, em outros, não.

Numa das tantas inscrições para concurso que fiz na vida, uma foi muito engraçada (para os outros). Um jornal local informou que as inscrições para concurso na área de saúde da Prefeitura de Vitória seriam realizadas no campus da Ufes. Ao chegar, não tive dificuldades para localizar a área porque havia um movimento muito grande numa mesma direção. Segui as pessoas e realmente cheguei ao pátio onde estavam sendo efetuadas as inscrições. Fui a um guichê e me informei sobre onde ir. Entrei numa fila quilométrica.

As horas foram passando lentamente enquanto a fila continuava na mesma posição. No início, relaxei, olhei as horas e verifiquei os documentos: estavam em ordem. As horas foram passando e eu ali, em pé, torcendo para que algumas pessoas desistissem e fossem embora. Que nada, todos continuavam pacientemente esperando sua vez. Neste tempo de espera conheci muitas pessoas e todos os assuntos foram comentados e discutidos neste grupo, desde futebol até as preferências por comida. A política, claro, não faltou. O Lula, se estivesse ali ficaria corado de vergonha. Pessoas muita exaltadas falavam alto. Outras que nem estavam na conversa davam sua opinião.

De repente senti uma fisgada na barriga, um pouco abaixo do umbigo. Ai! Passou. De novo, outra fisgada. Em seguida uma dor tão grande que parecia que meu intestino estava sendo amarrado ou virado do avesso. Olhei de um lado, do outro e não vi nenhum banheiro à vista. Saí da fila, andei como uma doida e não encontrei o tão desejado lugar. De repente, olhei à minha esquerda, por uma fresta e lá estava: azulejos brancos. Só vi os azulejos brancos. Olhei a porta e não havia nenhuma indicação de sexo. Entrei na primeira porta que encontrei. Que alívio! Mais tranqüila, saí para lavar as mãos.

Só aí pude observar o local com mais calma e notei que havia muitos chuveiros e vasos masculinos. Meu Deus! Entrei no banheiro masculino. Tomara que não tenha ninguém. Seria muita sorte. O que eu não tivera até aquele momento. Virei devagar o rosto e de repente vi dois olhos curiosos e um sorriso irônico. Fiquei parada, muda por alguns instantes. Quando me recuperei do susto, virei as costas e corri para fora. Foi muito constrangedor. O pior é que contei para uma “amiga”, que havia conhecido durante a longa espera. Ela contou para a fila toda. Todos caíram na risada. Não sei o que foi pior: ver a cara daquele garoto com aquele sorrisinho no rosto ou a risada geral da fila.

Veja o que você está sujeito quando está desesperado atrás de um trabalho melhor, ou de um emprego, não sei. Para evitar tudo isto, ouça o conselho de uma pessoa muito experiente em concursos. Você precisa estar descansado, de preferência levar um lanchinho e água para não passar fome ou sede, dizer ao seu intestino que você está numa fila de concurso público, ter paciência de Jó, como dizia minha mãe. Ser calmo para ouvir as risadas e não brigar. E o mais importante, não errar a porta do banheiro...

Com estas dicas você conseguirá fazer a inscrição. Ser aprovado... Aí, é outra história.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Luta, garra e vitória na vida de uma jornalista

Com um cigarro na mão, Vanessa Maia Barbosa de Paiva Rangel, 37, me olhou com surpresa quando pedi que me concedesse uma entrevista. “Por que eu? Com tanta gente boa por aí...”
“É para a aula da Emília sobre perfis. Escolhi você porque achei que seria interessante a sua história”, respondi.
“Agora estou ocupada, mas não se preocupe que falarei com você”, concordou.
Esperei, esperei e nada. “Acho que ela se esqueceu”, pensei. Fui a sua sala. Eu estava certa. Ela havia esquecido. Começamos a Lígia e eu, a entrevista. Vanessa falou de sua vida, sua carreira, da família e de seus estudos.
Fez Comunicação Social na Universidade Federal do Espírito Santo, Ufes, de 1990 a 1994. Não sabia muito bem o que fazer. Lia muitas revistas e jornais, em casa. Na faculdade, se encontrou. Descobriu que era o que realmente queria estudar, fez pós-graduação em Política de Comunicação na Ufes, mestrado na Uff/RJ e cursa doutorado na Ufes. Trabalhou nos jornais A Gazeta e A Tribuna e atualmente é professora de comunicação e diretora da TV Faesa.
Ao se formar se deparou com um mercado de trabalho bastante restrito. Ela ficou oito meses desempregada, dona-de-casa 24 horas por dia. Após esta fase ruim, recebeu oferta para trabalhar no jornal A Gazeta.
Enquanto estudava mestrado no Rio de Janeiro, seu irmão adoeceu e morreu de câncer. Logo após, uma irmã também contraiu a mesma doença, chegando também a falecer pouco tempo depois. Foram fases muito sofridas. Pediu demissão do jornal A Gazeta para ajudar seu irmão e sua mãe. Para conciliar trabalho e estudo, revezava os horários das aulas na Faesa com suas viagens ao Rio de Janeiro.
Trabalhou no Bom Dia Espírito Santo na TV Gazeta. Apesar das dificuldades no início da carreira, nunca foi discriminada pelo fato de ser mulher. “O jornalismo é uma das poucas carreiras que tem muitas mulheres, nunca tive problemas por ser, mulher”, disse. Para ela, tem batalhas que são necessárias, merecem ser travadas, principalmente: contra a doença e a concentração. “Algumas guerras são necessárias, outras, não”, pondera a professora.
Tem orgulho de seus alunos. “São muito bacanas, solidários, se importam e me tratam com muito carinho. Coloco muita expectativa nos alunos. Quero que eles se dêem bem”, falou Vanessa. Convidada para abrir uma produtora, não aceitou. Seu sonho é poder trabalhar num jornal comprometido com causas sociais.
Nunca teve filhos. Acha que foi covarde, fugiu da maternidade Não quis ser mãe com medo de não saber educá-los. Tem sobrinhos que adora. Daria até as córneas para eles. O amor é recíproco. É exemplo para eles.
Para Vanessa, o jornalismo mais social, com alguma causa, seria uma forma ideal para fazer com que as pessoas fossem menos egoístas, que se preocupassem com os outros. A pós-modernidade fez com que hoje, todos se preocupem consigo mesmos, não se importem com os outros. “Se um amigo está doente, não ligam. Estão muito utilitaristas. Os jovens querem uma pessoa para beijar e não querem saber mais dela. É preciso colocar como prioridade os amigos”, acredita ela.
Para manter a forma mudou sua alimentação, preferindo alimentos mais naturais. Não gosta de roupa muito apertada nem de estar acima do peso. Quer cuidar da alimentação, e também da cabeça. Quer cuidar do entra na boca e nos ouvidos. Não quer ouvir qualquer coisa. Quer serenidade.
É uma mulher de família. Seu pai morreu há alguns anos e é muito ligada à sua mãe que não está bem com a morte do pai e de dois filhos. Mesmo morando sozinha, está sempre por perto de seus familiares, razão pela qual não quer estudar ou morar fora do Brasil.
A mãe é uma pessoa muito especial. Foi quem lhe deu estrutura para poder fazer a faculdade. Chegava em casa e sua mãe havia feito uma comida quentinha, cuidava de suas roupas. Sente muita falta do pai, de sua praticidade e de seu modo de ver a vida. Dizia que cada um deveria procurar sua independência.
Esta é apenas uma parte da complexa Vanessa Maia. Que não pode ser definida ou rotulada. É ela mesma. Uma pessoa que fala o que pensa. Discute com os alunos e diz sempre que não gosta de criança e adolescente, mas adora seu sobrinho que está nesta fase de idade. Disfarça, mas tem o maior carinho pelos alunos e quer vê-los se dar bem na vida. É isto aí, Bonita.

domingo, 6 de abril de 2008

Um jovem editor e sua carreira de sucesso

Um jovem editor e sua carreira de sucesso
Sorriso franco, olhos sempre atentos a tudo em sua volta, simpático. Este é o editor do Caderno 2 do jornal A Gazeta. Sentado à mesa da sala de aula, na turma do quinto de jornalismo da Faesa, às dez da manhã, lá estava ele: José Roberto Santos Neves. Tranqüilo, sorridente e prestativo aguardava as perguntas que iríamos fazer.
Nasceu em Vitória em 15 de novembro de 1971. Desde criança gosta de ler e escrever. Ainda criança criou, em casa, o jornal A Tribuninha, em oposição ao A Gazetinha. Nele escrevia sobre sua família, seus cachorros e histórias inventadas por ele. Fez jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo, Ufes e pós-graduação em Gestão em Assessoria de Comunicação, na Faesa. Ainda estudante de jornalismo, fez um projeto de graduação chamado Fanzine, um espaço no jornal voltado para público jovem. Publicou o primeiro número em 1995 e falava sobre o movimento Punk. A página sai toda quarta-feira
Trabalhou como estagiário no jornal A Gazeta no setor de pesquisa, por dois anos onde adquiriu bagagem para mais tarde ocupar o cargo de jornalista cultural.
Rock. Adolescente, participou de bandas de rock como Big Bat Blue Band e The Rain, como baterista, gravando dois CDs. Naquela época usava cabelos compridos: um verdadeiro roqueiro.
Teve herança de seus tios e avô para escrever bem. Foi convidado pelo jornalista e escritor Antonio de Pádua Gurgel, para participar do projeto Grandes Nomes do Espírito Santo. Para este projeto, escreveu o livro Maysa, a primeira e mais completa biografia da musa da música popular brasileira. Para escrever a obra, se demitiu do trabalho, se dedicando exclusivamente ao livro. Pesquisou e buscou pessoas que a conheceram e as entrevistou. Teve algumas dificuldades. O único filho da cantora, Jaime MonJardim, diretor da Rede Globo de Televisão, não quis recebê-lo, pois pretendia escrever a biografia da mãe com o patrocínio da emissora. Algumas pessoas diziam ter conhecido Maysa, ter bebido com ela em bares, mas Santos Neves logo descobriu a farsa através de pesquisas. Hoje, o livro está entre os melhores na estante de biografias de todas as livrarias do país.
Escreveu também mpb – De conversa em conversa. Este livro tem uma peculiaridade. Foi escrito usando o copião* de várias matérias suas. Conta os bastidores: como vários artistas foram entrevistados, as dificuldades e o prazer que sentiu nas entrevistas.
Cobriu o festival Rock in Rio III, em 1995 como o único jornalista capixaba no evento. “Eu estava sozinho, sem fotógrafos, entre vinte jornalistas da Rede Globo e muitos internacionais”, relatou o jornalista.
José Roberto Santos Neves tem prazer pelo que faz. Diz que escolheu fazer jornalismo e que tem verdadeira paixão. Não se imagina fazendo outra coisa. Às vezes, sente falta de escrever sobre outros assuntos, mas não consegue, pois o cargo de editor exige muito de seu tempo. Precisa revisar os textos, ver as pautas das colunas, sociedade, cruzadas, coluna social e seguir o perfil do jornal.
No caderno Dois, sempre mostra a cultura capixaba. A sua principal preocupação é ser uma vitrine da produção local. Faz matéria sobre Madona, mas também divulga as bandas capixabas como Macucos, Manimal ou de congo. Avalia as bandas locais com os mesmos parâmetros das nacionais.
Falando da cultura capixaba, Santos Neves acha que temos grandes nomes nas artes plásticas, na música e na literatura. Os festivais de curtas, vídeos e cinema tem contribuído muito para a cultura local. O teatro precisa crescer mais, se profissionalizar. Atores de outros estados são mais prestigiados que os capixabas. É preciso incentivo dos empresários e das secretarias de cultura. As músicas precisam ser mais elaboradas, mais líricas. "O Festival de alegre foi um bom espaço para a divulgação das músicas e dos artistas, mas se perdeu com o tempo, virou comercial, eliminando a amostra competitiva", disse ele.
O editor tem o sonho de fazer uma biografia da cantora Clara Nunes que fez samba de candomblé, cantou música negra, sintetizando a alma do povo brasileiro. Quer fazer também um livro sobre o movimento musical contemporâneo, registrando a história da música capixaba e um trabalho sobre as escolas de samba locais. Pensa utilizar a Lei de Incentivo a Cultura para realizar este trabalho.
Ao final da entrevista, ficou confirmado o conceito que é dado a ele de ser um excelente profissional e um ser humano incomum.

Obs: copião = a sobra da matéria, o que você descarta quando faz uma reportagem.