quarta-feira, 16 de abril de 2008

Concurso – Onde está a graça?

Concurso – Onde está a graça?


Você está desempregado ou procura um trabalho que seja seguro e tenha estabilidade? O seu salário não é muito bom e você trabalha tanto que à noite ainda sonha com ele? Seu chefe é autoritário e trata você como um lixo? Você tem uma saída: pegue seus documentos enfrente uma “pequena” fila e faça um concurso. No meu caso não foi tão exagerado assim. Eu sou concurseira por natureza. Em alguns, eu passei, em outros, não.

Numa das tantas inscrições para concurso que fiz na vida, uma foi muito engraçada (para os outros). Um jornal local informou que as inscrições para concurso na área de saúde da Prefeitura de Vitória seriam realizadas no campus da Ufes. Ao chegar, não tive dificuldades para localizar a área porque havia um movimento muito grande numa mesma direção. Segui as pessoas e realmente cheguei ao pátio onde estavam sendo efetuadas as inscrições. Fui a um guichê e me informei sobre onde ir. Entrei numa fila quilométrica.

As horas foram passando lentamente enquanto a fila continuava na mesma posição. No início, relaxei, olhei as horas e verifiquei os documentos: estavam em ordem. As horas foram passando e eu ali, em pé, torcendo para que algumas pessoas desistissem e fossem embora. Que nada, todos continuavam pacientemente esperando sua vez. Neste tempo de espera conheci muitas pessoas e todos os assuntos foram comentados e discutidos neste grupo, desde futebol até as preferências por comida. A política, claro, não faltou. O Lula, se estivesse ali ficaria corado de vergonha. Pessoas muita exaltadas falavam alto. Outras que nem estavam na conversa davam sua opinião.

De repente senti uma fisgada na barriga, um pouco abaixo do umbigo. Ai! Passou. De novo, outra fisgada. Em seguida uma dor tão grande que parecia que meu intestino estava sendo amarrado ou virado do avesso. Olhei de um lado, do outro e não vi nenhum banheiro à vista. Saí da fila, andei como uma doida e não encontrei o tão desejado lugar. De repente, olhei à minha esquerda, por uma fresta e lá estava: azulejos brancos. Só vi os azulejos brancos. Olhei a porta e não havia nenhuma indicação de sexo. Entrei na primeira porta que encontrei. Que alívio! Mais tranqüila, saí para lavar as mãos.

Só aí pude observar o local com mais calma e notei que havia muitos chuveiros e vasos masculinos. Meu Deus! Entrei no banheiro masculino. Tomara que não tenha ninguém. Seria muita sorte. O que eu não tivera até aquele momento. Virei devagar o rosto e de repente vi dois olhos curiosos e um sorriso irônico. Fiquei parada, muda por alguns instantes. Quando me recuperei do susto, virei as costas e corri para fora. Foi muito constrangedor. O pior é que contei para uma “amiga”, que havia conhecido durante a longa espera. Ela contou para a fila toda. Todos caíram na risada. Não sei o que foi pior: ver a cara daquele garoto com aquele sorrisinho no rosto ou a risada geral da fila.

Veja o que você está sujeito quando está desesperado atrás de um trabalho melhor, ou de um emprego, não sei. Para evitar tudo isto, ouça o conselho de uma pessoa muito experiente em concursos. Você precisa estar descansado, de preferência levar um lanchinho e água para não passar fome ou sede, dizer ao seu intestino que você está numa fila de concurso público, ter paciência de Jó, como dizia minha mãe. Ser calmo para ouvir as risadas e não brigar. E o mais importante, não errar a porta do banheiro...

Com estas dicas você conseguirá fazer a inscrição. Ser aprovado... Aí, é outra história.

Um comentário:

Sandra Sato disse...

Marina, realmente é muito engraçada a história. Mas o melhor foi o modo como escreveu. Parebéns!