domingo, 6 de abril de 2008

Um jovem editor e sua carreira de sucesso

Um jovem editor e sua carreira de sucesso
Sorriso franco, olhos sempre atentos a tudo em sua volta, simpático. Este é o editor do Caderno 2 do jornal A Gazeta. Sentado à mesa da sala de aula, na turma do quinto de jornalismo da Faesa, às dez da manhã, lá estava ele: José Roberto Santos Neves. Tranqüilo, sorridente e prestativo aguardava as perguntas que iríamos fazer.
Nasceu em Vitória em 15 de novembro de 1971. Desde criança gosta de ler e escrever. Ainda criança criou, em casa, o jornal A Tribuninha, em oposição ao A Gazetinha. Nele escrevia sobre sua família, seus cachorros e histórias inventadas por ele. Fez jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo, Ufes e pós-graduação em Gestão em Assessoria de Comunicação, na Faesa. Ainda estudante de jornalismo, fez um projeto de graduação chamado Fanzine, um espaço no jornal voltado para público jovem. Publicou o primeiro número em 1995 e falava sobre o movimento Punk. A página sai toda quarta-feira
Trabalhou como estagiário no jornal A Gazeta no setor de pesquisa, por dois anos onde adquiriu bagagem para mais tarde ocupar o cargo de jornalista cultural.
Rock. Adolescente, participou de bandas de rock como Big Bat Blue Band e The Rain, como baterista, gravando dois CDs. Naquela época usava cabelos compridos: um verdadeiro roqueiro.
Teve herança de seus tios e avô para escrever bem. Foi convidado pelo jornalista e escritor Antonio de Pádua Gurgel, para participar do projeto Grandes Nomes do Espírito Santo. Para este projeto, escreveu o livro Maysa, a primeira e mais completa biografia da musa da música popular brasileira. Para escrever a obra, se demitiu do trabalho, se dedicando exclusivamente ao livro. Pesquisou e buscou pessoas que a conheceram e as entrevistou. Teve algumas dificuldades. O único filho da cantora, Jaime MonJardim, diretor da Rede Globo de Televisão, não quis recebê-lo, pois pretendia escrever a biografia da mãe com o patrocínio da emissora. Algumas pessoas diziam ter conhecido Maysa, ter bebido com ela em bares, mas Santos Neves logo descobriu a farsa através de pesquisas. Hoje, o livro está entre os melhores na estante de biografias de todas as livrarias do país.
Escreveu também mpb – De conversa em conversa. Este livro tem uma peculiaridade. Foi escrito usando o copião* de várias matérias suas. Conta os bastidores: como vários artistas foram entrevistados, as dificuldades e o prazer que sentiu nas entrevistas.
Cobriu o festival Rock in Rio III, em 1995 como o único jornalista capixaba no evento. “Eu estava sozinho, sem fotógrafos, entre vinte jornalistas da Rede Globo e muitos internacionais”, relatou o jornalista.
José Roberto Santos Neves tem prazer pelo que faz. Diz que escolheu fazer jornalismo e que tem verdadeira paixão. Não se imagina fazendo outra coisa. Às vezes, sente falta de escrever sobre outros assuntos, mas não consegue, pois o cargo de editor exige muito de seu tempo. Precisa revisar os textos, ver as pautas das colunas, sociedade, cruzadas, coluna social e seguir o perfil do jornal.
No caderno Dois, sempre mostra a cultura capixaba. A sua principal preocupação é ser uma vitrine da produção local. Faz matéria sobre Madona, mas também divulga as bandas capixabas como Macucos, Manimal ou de congo. Avalia as bandas locais com os mesmos parâmetros das nacionais.
Falando da cultura capixaba, Santos Neves acha que temos grandes nomes nas artes plásticas, na música e na literatura. Os festivais de curtas, vídeos e cinema tem contribuído muito para a cultura local. O teatro precisa crescer mais, se profissionalizar. Atores de outros estados são mais prestigiados que os capixabas. É preciso incentivo dos empresários e das secretarias de cultura. As músicas precisam ser mais elaboradas, mais líricas. "O Festival de alegre foi um bom espaço para a divulgação das músicas e dos artistas, mas se perdeu com o tempo, virou comercial, eliminando a amostra competitiva", disse ele.
O editor tem o sonho de fazer uma biografia da cantora Clara Nunes que fez samba de candomblé, cantou música negra, sintetizando a alma do povo brasileiro. Quer fazer também um livro sobre o movimento musical contemporâneo, registrando a história da música capixaba e um trabalho sobre as escolas de samba locais. Pensa utilizar a Lei de Incentivo a Cultura para realizar este trabalho.
Ao final da entrevista, ficou confirmado o conceito que é dado a ele de ser um excelente profissional e um ser humano incomum.

Obs: copião = a sobra da matéria, o que você descarta quando faz uma reportagem.

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