Sr. Presidente, tenho acompanhado o seu desempenho à frente do governo brasileiro e por vezes fico espantada e curiosa. Muitos escândalos aconteceram durante o seu governo, como o mensalão e os cartões corporativos. A mídia não se cansou de divulgar e o assunto era alvo de discussões acirradas entre a população. Questionavam as ações de seus “companheiros e companheiras” no maior escândalo sobre corrupção no país.
Então, abro o Globo.com, jornal on-line, e me deparo com uma pesquisa realizada entre os dias 19 e 23 de março pelo Ibope, onde diz que sua taxa de aprovação como presidente é de 73%. Sei que em 2003, logo após sua posse, o índice era de 75%. Mas naquela época, o povo estava sonhando, esperando o “salvador da pátria”. Feliz por eleger um homem do povo. Como se explica este índice tão elevado depois de todos estes escândalos? Carisma? Bom desempenho econômico? Projetos sociais? Ou apenas papo furado e um bom discurso?
A pesquisa encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), consultou 2.002 pessoas em 114 cidades de todo o país. Mesmo com uma margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado foi muito além do esperado. Dos entrevistados, 68% disseram confiar no presidente e somente 28% que não confiavam. A enquete foi realizada com um público diverso: população de baixa renda e classe média. Será que o povo do sertão nordestino, que mora numa região onde quase nunca chove, que come calango no almoço foi consultado? Será que a vida deste trabalhador teve alguma mudança significativa para que ele possa opinar?
Me pergunto se a sua popularidade é por causa da política econômica, com a inflação controlada ou se confiam no homem Lula, independente do cargo ou partido. Mesmo aprovando a política de combate à alta dos preços e desaprovando a taxa de juros e a carga tributária, o brasileiro ainda confia. A proposta de reforma tributária pode ter ajudado a diminuir a desaprovação no setor econômico, porém se ela vai melhorar o país não sabemos, mas o povo (40%) acredita que vai acelerar o crescimento.
Quando um filme faz muito sucesso, os diretores fazem outras versões, como Rambo I, II e III. Porém, o primeiro sempre é melhor. O Ibope comparou seus dois mandatos e o resultado foi que 42% dos entrevistados consideraram o atual governo melhor que o primeiro; 16% que está sendo pior e os demais não viram diferença. Pelo visto, o povo considera a nova versão do seu governo ainda melhor que a primeira. Os diretores de filmes de Hollywood devem estar loucos para descobrir a fórmula mágica de se fazer isto.
Rambo era forte e poderoso, mas sucumbiu nas versões posteriores. Na arena, enquanto os adversários procuram um meio de diminuir a sua popularidade, você continua no alto, cada vez mais forte, de pé, recebendo os louros de um grande estadista. Neste embate não há vencedores nem vencidos. Somente a história vai dizer se realmente o seu governo foi bom ou se não passou de uma ilusão, de um sonho do povo brasileiro. Lula X Rambo – O embate do século
Sr. Presidente, tenho acompanhado o seu desempenho à frente do governo brasileiro e por vezes fico espantada e curiosa. Muitos escândalos aconteceram durante o seu governo, como o mensalão e os cartões corporativos. A mídia não se cansou de divulgar e o assunto era alvo de discussões acirradas entre a população. Questionavam as ações de seus “companheiros e companheiras” no maior escândalo sobre corrupção no país.
Então, abro o Globo.com, jornal on-line, e deparo com uma pesquisa realizada entre os dias 19 e 23 de março pelo Ibope, onde diz que sua taxa de aprovação como presidente é de 73%. Sei que em 2003, logo após sua posse, o índice era de 75%. Mas naquela época, o povo estava em sonhos, esperando o “salvador da pátria”. Feliz por eleger um homem do povo. Como se explica este índice tão elevado depois de todos estes escândalos? Carisma? Bom desempenho econômico? Projetos sociais? Ou apenas papo furado e um bom discurso?
A pesquisa encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), consultou 2.002 pessoas em 114 cidades de todo país. Mesmo com uma margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado foi muito além do esperado. Dos entrevistados, 68% disseram confiar no presidente e somente 28% que não confiavam. A enquete foi realizada com um público diverso: população de baixa renda e classe média. Será que o povo do sertão nordestino, que mora numa região onde quase nunca chove, que come calango no almoço foi consultado? Será que a vida deste trabalhador teve alguma mudança significativa para que ele possa opinar?
Me pergunto se a sua popularidade é por causa da política econômica, com a inflação controlada ou se confiam no homem Lula, independente do cargo ou partido. Mesmo aprovando a política de combate à alta dos preços e desaprovando a taxa de juros e a carga tributária, o brasileiro ainda confia. A proposta de reforma tributária pode ter ajudado a diminuir a desaprovação no setor econômico, porém se ela vai melhorar o país não sabemos, mas o povo (40%) acredita que vai acelerar o crescimento.
Quando um filme faz muito sucesso, os diretores fazem outras versões, como Rambo I, II e III. Porém, o primeiro sempre é melhor. O Ibope comparou seus dois mandatos e o resultado foi que 42% dos entrevistados consideraram o atual governo melhor que o primeiro; 16% que está sendo pior e os demais não viram diferença. Pelo visto, o povo considera a nova versão do seu governo ainda melhor que a primeira. Os diretores de filmes de Hollywood devem estar loucos para descobrir a fórmula mágica de se fazer isto.
Rambo era forte e poderoso, mas sucumbiu nas versões posteriores. Na arena, enquanto os adversários procuram um meio de diminuir a sua popularidade, você continua no alto, cada vez mais forte, de pé, recebendo os louros de um grande estadista. Neste embate não há vencedores nem vencidos. Somente a história vai dizer se realmente o seu governo foi bom ou se não passou de uma ilusão, de um sonho do povo brasileiro.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Concurso – Onde está a graça?
Concurso – Onde está a graça?
Você está desempregado ou procura um trabalho que seja seguro e tenha estabilidade? O seu salário não é muito bom e você trabalha tanto que à noite ainda sonha com ele? Seu chefe é autoritário e trata você como um lixo? Você tem uma saída: pegue seus documentos enfrente uma “pequena” fila e faça um concurso. No meu caso não foi tão exagerado assim. Eu sou concurseira por natureza. Em alguns, eu passei, em outros, não.
Numa das tantas inscrições para concurso que fiz na vida, uma foi muito engraçada (para os outros). Um jornal local informou que as inscrições para concurso na área de saúde da Prefeitura de Vitória seriam realizadas no campus da Ufes. Ao chegar, não tive dificuldades para localizar a área porque havia um movimento muito grande numa mesma direção. Segui as pessoas e realmente cheguei ao pátio onde estavam sendo efetuadas as inscrições. Fui a um guichê e me informei sobre onde ir. Entrei numa fila quilométrica.
As horas foram passando lentamente enquanto a fila continuava na mesma posição. No início, relaxei, olhei as horas e verifiquei os documentos: estavam em ordem. As horas foram passando e eu ali, em pé, torcendo para que algumas pessoas desistissem e fossem embora. Que nada, todos continuavam pacientemente esperando sua vez. Neste tempo de espera conheci muitas pessoas e todos os assuntos foram comentados e discutidos neste grupo, desde futebol até as preferências por comida. A política, claro, não faltou. O Lula, se estivesse ali ficaria corado de vergonha. Pessoas muita exaltadas falavam alto. Outras que nem estavam na conversa davam sua opinião.
De repente senti uma fisgada na barriga, um pouco abaixo do umbigo. Ai! Passou. De novo, outra fisgada. Em seguida uma dor tão grande que parecia que meu intestino estava sendo amarrado ou virado do avesso. Olhei de um lado, do outro e não vi nenhum banheiro à vista. Saí da fila, andei como uma doida e não encontrei o tão desejado lugar. De repente, olhei à minha esquerda, por uma fresta e lá estava: azulejos brancos. Só vi os azulejos brancos. Olhei a porta e não havia nenhuma indicação de sexo. Entrei na primeira porta que encontrei. Que alívio! Mais tranqüila, saí para lavar as mãos.
Só aí pude observar o local com mais calma e notei que havia muitos chuveiros e vasos masculinos. Meu Deus! Entrei no banheiro masculino. Tomara que não tenha ninguém. Seria muita sorte. O que eu não tivera até aquele momento. Virei devagar o rosto e de repente vi dois olhos curiosos e um sorriso irônico. Fiquei parada, muda por alguns instantes. Quando me recuperei do susto, virei as costas e corri para fora. Foi muito constrangedor. O pior é que contei para uma “amiga”, que havia conhecido durante a longa espera. Ela contou para a fila toda. Todos caíram na risada. Não sei o que foi pior: ver a cara daquele garoto com aquele sorrisinho no rosto ou a risada geral da fila.
Veja o que você está sujeito quando está desesperado atrás de um trabalho melhor, ou de um emprego, não sei. Para evitar tudo isto, ouça o conselho de uma pessoa muito experiente em concursos. Você precisa estar descansado, de preferência levar um lanchinho e água para não passar fome ou sede, dizer ao seu intestino que você está numa fila de concurso público, ter paciência de Jó, como dizia minha mãe. Ser calmo para ouvir as risadas e não brigar. E o mais importante, não errar a porta do banheiro...
Com estas dicas você conseguirá fazer a inscrição. Ser aprovado... Aí, é outra história.
Você está desempregado ou procura um trabalho que seja seguro e tenha estabilidade? O seu salário não é muito bom e você trabalha tanto que à noite ainda sonha com ele? Seu chefe é autoritário e trata você como um lixo? Você tem uma saída: pegue seus documentos enfrente uma “pequena” fila e faça um concurso. No meu caso não foi tão exagerado assim. Eu sou concurseira por natureza. Em alguns, eu passei, em outros, não.
Numa das tantas inscrições para concurso que fiz na vida, uma foi muito engraçada (para os outros). Um jornal local informou que as inscrições para concurso na área de saúde da Prefeitura de Vitória seriam realizadas no campus da Ufes. Ao chegar, não tive dificuldades para localizar a área porque havia um movimento muito grande numa mesma direção. Segui as pessoas e realmente cheguei ao pátio onde estavam sendo efetuadas as inscrições. Fui a um guichê e me informei sobre onde ir. Entrei numa fila quilométrica.
As horas foram passando lentamente enquanto a fila continuava na mesma posição. No início, relaxei, olhei as horas e verifiquei os documentos: estavam em ordem. As horas foram passando e eu ali, em pé, torcendo para que algumas pessoas desistissem e fossem embora. Que nada, todos continuavam pacientemente esperando sua vez. Neste tempo de espera conheci muitas pessoas e todos os assuntos foram comentados e discutidos neste grupo, desde futebol até as preferências por comida. A política, claro, não faltou. O Lula, se estivesse ali ficaria corado de vergonha. Pessoas muita exaltadas falavam alto. Outras que nem estavam na conversa davam sua opinião.
De repente senti uma fisgada na barriga, um pouco abaixo do umbigo. Ai! Passou. De novo, outra fisgada. Em seguida uma dor tão grande que parecia que meu intestino estava sendo amarrado ou virado do avesso. Olhei de um lado, do outro e não vi nenhum banheiro à vista. Saí da fila, andei como uma doida e não encontrei o tão desejado lugar. De repente, olhei à minha esquerda, por uma fresta e lá estava: azulejos brancos. Só vi os azulejos brancos. Olhei a porta e não havia nenhuma indicação de sexo. Entrei na primeira porta que encontrei. Que alívio! Mais tranqüila, saí para lavar as mãos.
Só aí pude observar o local com mais calma e notei que havia muitos chuveiros e vasos masculinos. Meu Deus! Entrei no banheiro masculino. Tomara que não tenha ninguém. Seria muita sorte. O que eu não tivera até aquele momento. Virei devagar o rosto e de repente vi dois olhos curiosos e um sorriso irônico. Fiquei parada, muda por alguns instantes. Quando me recuperei do susto, virei as costas e corri para fora. Foi muito constrangedor. O pior é que contei para uma “amiga”, que havia conhecido durante a longa espera. Ela contou para a fila toda. Todos caíram na risada. Não sei o que foi pior: ver a cara daquele garoto com aquele sorrisinho no rosto ou a risada geral da fila.
Veja o que você está sujeito quando está desesperado atrás de um trabalho melhor, ou de um emprego, não sei. Para evitar tudo isto, ouça o conselho de uma pessoa muito experiente em concursos. Você precisa estar descansado, de preferência levar um lanchinho e água para não passar fome ou sede, dizer ao seu intestino que você está numa fila de concurso público, ter paciência de Jó, como dizia minha mãe. Ser calmo para ouvir as risadas e não brigar. E o mais importante, não errar a porta do banheiro...
Com estas dicas você conseguirá fazer a inscrição. Ser aprovado... Aí, é outra história.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Luta, garra e vitória na vida de uma jornalista
Com um cigarro na mão, Vanessa Maia Barbosa de Paiva Rangel, 37, me olhou com surpresa quando pedi que me concedesse uma entrevista. “Por que eu? Com tanta gente boa por aí...”
“É para a aula da Emília sobre perfis. Escolhi você porque achei que seria interessante a sua história”, respondi.
“Agora estou ocupada, mas não se preocupe que falarei com você”, concordou.
Esperei, esperei e nada. “Acho que ela se esqueceu”, pensei. Fui a sua sala. Eu estava certa. Ela havia esquecido. Começamos a Lígia e eu, a entrevista. Vanessa falou de sua vida, sua carreira, da família e de seus estudos.
Fez Comunicação Social na Universidade Federal do Espírito Santo, Ufes, de 1990 a 1994. Não sabia muito bem o que fazer. Lia muitas revistas e jornais, em casa. Na faculdade, se encontrou. Descobriu que era o que realmente queria estudar, fez pós-graduação em Política de Comunicação na Ufes, mestrado na Uff/RJ e cursa doutorado na Ufes. Trabalhou nos jornais A Gazeta e A Tribuna e atualmente é professora de comunicação e diretora da TV Faesa.
Ao se formar se deparou com um mercado de trabalho bastante restrito. Ela ficou oito meses desempregada, dona-de-casa 24 horas por dia. Após esta fase ruim, recebeu oferta para trabalhar no jornal A Gazeta.
Enquanto estudava mestrado no Rio de Janeiro, seu irmão adoeceu e morreu de câncer. Logo após, uma irmã também contraiu a mesma doença, chegando também a falecer pouco tempo depois. Foram fases muito sofridas. Pediu demissão do jornal A Gazeta para ajudar seu irmão e sua mãe. Para conciliar trabalho e estudo, revezava os horários das aulas na Faesa com suas viagens ao Rio de Janeiro.
Trabalhou no Bom Dia Espírito Santo na TV Gazeta. Apesar das dificuldades no início da carreira, nunca foi discriminada pelo fato de ser mulher. “O jornalismo é uma das poucas carreiras que tem muitas mulheres, nunca tive problemas por ser, mulher”, disse. Para ela, tem batalhas que são necessárias, merecem ser travadas, principalmente: contra a doença e a concentração. “Algumas guerras são necessárias, outras, não”, pondera a professora.
Tem orgulho de seus alunos. “São muito bacanas, solidários, se importam e me tratam com muito carinho. Coloco muita expectativa nos alunos. Quero que eles se dêem bem”, falou Vanessa. Convidada para abrir uma produtora, não aceitou. Seu sonho é poder trabalhar num jornal comprometido com causas sociais.
Nunca teve filhos. Acha que foi covarde, fugiu da maternidade Não quis ser mãe com medo de não saber educá-los. Tem sobrinhos que adora. Daria até as córneas para eles. O amor é recíproco. É exemplo para eles.
Para Vanessa, o jornalismo mais social, com alguma causa, seria uma forma ideal para fazer com que as pessoas fossem menos egoístas, que se preocupassem com os outros. A pós-modernidade fez com que hoje, todos se preocupem consigo mesmos, não se importem com os outros. “Se um amigo está doente, não ligam. Estão muito utilitaristas. Os jovens querem uma pessoa para beijar e não querem saber mais dela. É preciso colocar como prioridade os amigos”, acredita ela.
Para manter a forma mudou sua alimentação, preferindo alimentos mais naturais. Não gosta de roupa muito apertada nem de estar acima do peso. Quer cuidar da alimentação, e também da cabeça. Quer cuidar do entra na boca e nos ouvidos. Não quer ouvir qualquer coisa. Quer serenidade.
É uma mulher de família. Seu pai morreu há alguns anos e é muito ligada à sua mãe que não está bem com a morte do pai e de dois filhos. Mesmo morando sozinha, está sempre por perto de seus familiares, razão pela qual não quer estudar ou morar fora do Brasil.
A mãe é uma pessoa muito especial. Foi quem lhe deu estrutura para poder fazer a faculdade. Chegava em casa e sua mãe havia feito uma comida quentinha, cuidava de suas roupas. Sente muita falta do pai, de sua praticidade e de seu modo de ver a vida. Dizia que cada um deveria procurar sua independência.
Esta é apenas uma parte da complexa Vanessa Maia. Que não pode ser definida ou rotulada. É ela mesma. Uma pessoa que fala o que pensa. Discute com os alunos e diz sempre que não gosta de criança e adolescente, mas adora seu sobrinho que está nesta fase de idade. Disfarça, mas tem o maior carinho pelos alunos e quer vê-los se dar bem na vida. É isto aí, Bonita.
“É para a aula da Emília sobre perfis. Escolhi você porque achei que seria interessante a sua história”, respondi.
“Agora estou ocupada, mas não se preocupe que falarei com você”, concordou.
Esperei, esperei e nada. “Acho que ela se esqueceu”, pensei. Fui a sua sala. Eu estava certa. Ela havia esquecido. Começamos a Lígia e eu, a entrevista. Vanessa falou de sua vida, sua carreira, da família e de seus estudos.
Fez Comunicação Social na Universidade Federal do Espírito Santo, Ufes, de 1990 a 1994. Não sabia muito bem o que fazer. Lia muitas revistas e jornais, em casa. Na faculdade, se encontrou. Descobriu que era o que realmente queria estudar, fez pós-graduação em Política de Comunicação na Ufes, mestrado na Uff/RJ e cursa doutorado na Ufes. Trabalhou nos jornais A Gazeta e A Tribuna e atualmente é professora de comunicação e diretora da TV Faesa.
Ao se formar se deparou com um mercado de trabalho bastante restrito. Ela ficou oito meses desempregada, dona-de-casa 24 horas por dia. Após esta fase ruim, recebeu oferta para trabalhar no jornal A Gazeta.
Enquanto estudava mestrado no Rio de Janeiro, seu irmão adoeceu e morreu de câncer. Logo após, uma irmã também contraiu a mesma doença, chegando também a falecer pouco tempo depois. Foram fases muito sofridas. Pediu demissão do jornal A Gazeta para ajudar seu irmão e sua mãe. Para conciliar trabalho e estudo, revezava os horários das aulas na Faesa com suas viagens ao Rio de Janeiro.
Trabalhou no Bom Dia Espírito Santo na TV Gazeta. Apesar das dificuldades no início da carreira, nunca foi discriminada pelo fato de ser mulher. “O jornalismo é uma das poucas carreiras que tem muitas mulheres, nunca tive problemas por ser, mulher”, disse. Para ela, tem batalhas que são necessárias, merecem ser travadas, principalmente: contra a doença e a concentração. “Algumas guerras são necessárias, outras, não”, pondera a professora.
Tem orgulho de seus alunos. “São muito bacanas, solidários, se importam e me tratam com muito carinho. Coloco muita expectativa nos alunos. Quero que eles se dêem bem”, falou Vanessa. Convidada para abrir uma produtora, não aceitou. Seu sonho é poder trabalhar num jornal comprometido com causas sociais.
Nunca teve filhos. Acha que foi covarde, fugiu da maternidade Não quis ser mãe com medo de não saber educá-los. Tem sobrinhos que adora. Daria até as córneas para eles. O amor é recíproco. É exemplo para eles.
Para Vanessa, o jornalismo mais social, com alguma causa, seria uma forma ideal para fazer com que as pessoas fossem menos egoístas, que se preocupassem com os outros. A pós-modernidade fez com que hoje, todos se preocupem consigo mesmos, não se importem com os outros. “Se um amigo está doente, não ligam. Estão muito utilitaristas. Os jovens querem uma pessoa para beijar e não querem saber mais dela. É preciso colocar como prioridade os amigos”, acredita ela.
Para manter a forma mudou sua alimentação, preferindo alimentos mais naturais. Não gosta de roupa muito apertada nem de estar acima do peso. Quer cuidar da alimentação, e também da cabeça. Quer cuidar do entra na boca e nos ouvidos. Não quer ouvir qualquer coisa. Quer serenidade.
É uma mulher de família. Seu pai morreu há alguns anos e é muito ligada à sua mãe que não está bem com a morte do pai e de dois filhos. Mesmo morando sozinha, está sempre por perto de seus familiares, razão pela qual não quer estudar ou morar fora do Brasil.
A mãe é uma pessoa muito especial. Foi quem lhe deu estrutura para poder fazer a faculdade. Chegava em casa e sua mãe havia feito uma comida quentinha, cuidava de suas roupas. Sente muita falta do pai, de sua praticidade e de seu modo de ver a vida. Dizia que cada um deveria procurar sua independência.
Esta é apenas uma parte da complexa Vanessa Maia. Que não pode ser definida ou rotulada. É ela mesma. Uma pessoa que fala o que pensa. Discute com os alunos e diz sempre que não gosta de criança e adolescente, mas adora seu sobrinho que está nesta fase de idade. Disfarça, mas tem o maior carinho pelos alunos e quer vê-los se dar bem na vida. É isto aí, Bonita.
domingo, 6 de abril de 2008
Um jovem editor e sua carreira de sucesso
Um jovem editor e sua carreira de sucesso
Sorriso franco, olhos sempre atentos a tudo em sua volta, simpático. Este é o editor do Caderno 2 do jornal A Gazeta. Sentado à mesa da sala de aula, na turma do quinto de jornalismo da Faesa, às dez da manhã, lá estava ele: José Roberto Santos Neves. Tranqüilo, sorridente e prestativo aguardava as perguntas que iríamos fazer.
Nasceu em Vitória em 15 de novembro de 1971. Desde criança gosta de ler e escrever. Ainda criança criou, em casa, o jornal A Tribuninha, em oposição ao A Gazetinha. Nele escrevia sobre sua família, seus cachorros e histórias inventadas por ele. Fez jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo, Ufes e pós-graduação em Gestão em Assessoria de Comunicação, na Faesa. Ainda estudante de jornalismo, fez um projeto de graduação chamado Fanzine, um espaço no jornal voltado para público jovem. Publicou o primeiro número em 1995 e falava sobre o movimento Punk. A página sai toda quarta-feira
Trabalhou como estagiário no jornal A Gazeta no setor de pesquisa, por dois anos onde adquiriu bagagem para mais tarde ocupar o cargo de jornalista cultural.
Rock. Adolescente, participou de bandas de rock como Big Bat Blue Band e The Rain, como baterista, gravando dois CDs. Naquela época usava cabelos compridos: um verdadeiro roqueiro.
Teve herança de seus tios e avô para escrever bem. Foi convidado pelo jornalista e escritor Antonio de Pádua Gurgel, para participar do projeto Grandes Nomes do Espírito Santo. Para este projeto, escreveu o livro Maysa, a primeira e mais completa biografia da musa da música popular brasileira. Para escrever a obra, se demitiu do trabalho, se dedicando exclusivamente ao livro. Pesquisou e buscou pessoas que a conheceram e as entrevistou. Teve algumas dificuldades. O único filho da cantora, Jaime MonJardim, diretor da Rede Globo de Televisão, não quis recebê-lo, pois pretendia escrever a biografia da mãe com o patrocínio da emissora. Algumas pessoas diziam ter conhecido Maysa, ter bebido com ela em bares, mas Santos Neves logo descobriu a farsa através de pesquisas. Hoje, o livro está entre os melhores na estante de biografias de todas as livrarias do país.
Escreveu também mpb – De conversa em conversa. Este livro tem uma peculiaridade. Foi escrito usando o copião* de várias matérias suas. Conta os bastidores: como vários artistas foram entrevistados, as dificuldades e o prazer que sentiu nas entrevistas.
Cobriu o festival Rock in Rio III, em 1995 como o único jornalista capixaba no evento. “Eu estava sozinho, sem fotógrafos, entre vinte jornalistas da Rede Globo e muitos internacionais”, relatou o jornalista.
José Roberto Santos Neves tem prazer pelo que faz. Diz que escolheu fazer jornalismo e que tem verdadeira paixão. Não se imagina fazendo outra coisa. Às vezes, sente falta de escrever sobre outros assuntos, mas não consegue, pois o cargo de editor exige muito de seu tempo. Precisa revisar os textos, ver as pautas das colunas, sociedade, cruzadas, coluna social e seguir o perfil do jornal.
No caderno Dois, sempre mostra a cultura capixaba. A sua principal preocupação é ser uma vitrine da produção local. Faz matéria sobre Madona, mas também divulga as bandas capixabas como Macucos, Manimal ou de congo. Avalia as bandas locais com os mesmos parâmetros das nacionais.
Falando da cultura capixaba, Santos Neves acha que temos grandes nomes nas artes plásticas, na música e na literatura. Os festivais de curtas, vídeos e cinema tem contribuído muito para a cultura local. O teatro precisa crescer mais, se profissionalizar. Atores de outros estados são mais prestigiados que os capixabas. É preciso incentivo dos empresários e das secretarias de cultura. As músicas precisam ser mais elaboradas, mais líricas. "O Festival de alegre foi um bom espaço para a divulgação das músicas e dos artistas, mas se perdeu com o tempo, virou comercial, eliminando a amostra competitiva", disse ele.
O editor tem o sonho de fazer uma biografia da cantora Clara Nunes que fez samba de candomblé, cantou música negra, sintetizando a alma do povo brasileiro. Quer fazer também um livro sobre o movimento musical contemporâneo, registrando a história da música capixaba e um trabalho sobre as escolas de samba locais. Pensa utilizar a Lei de Incentivo a Cultura para realizar este trabalho.
Trabalhou como estagiário no jornal A Gazeta no setor de pesquisa, por dois anos onde adquiriu bagagem para mais tarde ocupar o cargo de jornalista cultural.
Rock. Adolescente, participou de bandas de rock como Big Bat Blue Band e The Rain, como baterista, gravando dois CDs. Naquela época usava cabelos compridos: um verdadeiro roqueiro.
Teve herança de seus tios e avô para escrever bem. Foi convidado pelo jornalista e escritor Antonio de Pádua Gurgel, para participar do projeto Grandes Nomes do Espírito Santo. Para este projeto, escreveu o livro Maysa, a primeira e mais completa biografia da musa da música popular brasileira. Para escrever a obra, se demitiu do trabalho, se dedicando exclusivamente ao livro. Pesquisou e buscou pessoas que a conheceram e as entrevistou. Teve algumas dificuldades. O único filho da cantora, Jaime MonJardim, diretor da Rede Globo de Televisão, não quis recebê-lo, pois pretendia escrever a biografia da mãe com o patrocínio da emissora. Algumas pessoas diziam ter conhecido Maysa, ter bebido com ela em bares, mas Santos Neves logo descobriu a farsa através de pesquisas. Hoje, o livro está entre os melhores na estante de biografias de todas as livrarias do país.
Escreveu também mpb – De conversa em conversa. Este livro tem uma peculiaridade. Foi escrito usando o copião* de várias matérias suas. Conta os bastidores: como vários artistas foram entrevistados, as dificuldades e o prazer que sentiu nas entrevistas.
Cobriu o festival Rock in Rio III, em 1995 como o único jornalista capixaba no evento. “Eu estava sozinho, sem fotógrafos, entre vinte jornalistas da Rede Globo e muitos internacionais”, relatou o jornalista.
José Roberto Santos Neves tem prazer pelo que faz. Diz que escolheu fazer jornalismo e que tem verdadeira paixão. Não se imagina fazendo outra coisa. Às vezes, sente falta de escrever sobre outros assuntos, mas não consegue, pois o cargo de editor exige muito de seu tempo. Precisa revisar os textos, ver as pautas das colunas, sociedade, cruzadas, coluna social e seguir o perfil do jornal.
No caderno Dois, sempre mostra a cultura capixaba. A sua principal preocupação é ser uma vitrine da produção local. Faz matéria sobre Madona, mas também divulga as bandas capixabas como Macucos, Manimal ou de congo. Avalia as bandas locais com os mesmos parâmetros das nacionais.
Falando da cultura capixaba, Santos Neves acha que temos grandes nomes nas artes plásticas, na música e na literatura. Os festivais de curtas, vídeos e cinema tem contribuído muito para a cultura local. O teatro precisa crescer mais, se profissionalizar. Atores de outros estados são mais prestigiados que os capixabas. É preciso incentivo dos empresários e das secretarias de cultura. As músicas precisam ser mais elaboradas, mais líricas. "O Festival de alegre foi um bom espaço para a divulgação das músicas e dos artistas, mas se perdeu com o tempo, virou comercial, eliminando a amostra competitiva", disse ele.
O editor tem o sonho de fazer uma biografia da cantora Clara Nunes que fez samba de candomblé, cantou música negra, sintetizando a alma do povo brasileiro. Quer fazer também um livro sobre o movimento musical contemporâneo, registrando a história da música capixaba e um trabalho sobre as escolas de samba locais. Pensa utilizar a Lei de Incentivo a Cultura para realizar este trabalho.
Ao final da entrevista, ficou confirmado o conceito que é dado a ele de ser um excelente profissional e um ser humano incomum.
Obs: copião = a sobra da matéria, o que você descarta quando faz uma reportagem.
Obs: copião = a sobra da matéria, o que você descarta quando faz uma reportagem.
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