segunda-feira, 5 de maio de 2008

Casa e comida. Um sonho quase possível

Vender coco, uma boa opção para quem está desempregado

Conceição luta pela sobrevivência
fazendo doces, milho verde cozido
e picolé, e nas “horas vagas”, vende
coco na praia


Ela se encontrava assentada numa cadeira de plástico branca, velha, recostada num muro chapiscado de um prédio de apartamentos. Olhar triste, rosto pálido, mão cruzadas junto às pernas, parecia desligada, num outro mundo. Talvez num mundo diferente onde não houvesse diferenças sociais, onde pudesse ter à mesa as melhores comidas e alimentar os próprios filhos. Seu rosto estava pálido em conseqüência de uma internação. Ela saiu do hospital há uma semana e está convalescente. Senta-se para descansar um pouco, entre um freguês e outro.

Ajuda o marido Francino no atendimento aos clientes. Eles vendem coco na praia se deslocando, vez por outra à procura de onde tiver mais movimento e mais fregueses. Ainda fraca, trabalhava no carrinho de coco. “Vim devagar, parando de vez em quando para descansar. Não carreguei o carrinho”, disse Conceição com um sorriso. Quando não está com o marido vendendo coco, faz cocada, doce de leite, pastel, pé-de-moleque e chupe-chupe* de coco verde. Vende também milho verde cozido.

Maria da Conceição Alves, 40, nascida em Sete Lagoas – MG, veio de Belo Horizonte, junto com o marido e filhos para morar em Vitória. Há seis anos deixou a capital mineira para ganhar a vida. Mora numa casinha de quarto e sala em Andorinhas, um bairro de Vitória. Seu sonho é comprar sua casa própria. “Se com o dinheiro que eu pago o aluguel eu tivesse pagando a prestação da minha casa, já estaria quase terminando. E ela seria minha”, confessou a vendedora de coco. Na busca pela casa própria, ela foi até o projeto Terra, mas não conseguiu se inscrever porque o financiamento era para o material de construção, para quem já possuísse o terreno.

Apartamento. A Prefeitura de Vitória está com um projeto de recuperação de prédios no centro da cidade. O projeto irá atender famílias de baixa renda. Sabendo disso, ela fez inscrição para compra do um apartamento. Preencheu uma ficha de cadastro na Casa do Cidadão e aguarda o resultado.
Conceição vive com o marido e quatro filhos. Eles também ajudam na renda familiar. A filha, Evelina Alves, 19, cuida de crianças cujos pais trabalham o dia todo, e ganha cem reais por mês. A outra filha trabalha numa lojinha de doces, no seu bairro. Os dois filhos, um de quinze anos e o outro de vinte, fazem biscate*.

Conceição sonha com os filhos na faculdade. Para isto pretende colocá-los no cursinho “Universidade Para Todos”, um projeto da Ufes que visa ingressar alunos carentes no ensino superior. Seu sonho da casa própria ainda não morreu. Ela diz que “ainda vai conseguir”.

“Vim devagar, parando de vez em quando
para descansar. Não carreguei o carrinho”.



*Biscate – trabalho informal.
*Chupe-chupe – espécie de picolé dentro do saquinho de plástico.

O trabalho informal é uma solução para o desemprego

Francino Morais Alves, 41, é marceneiro. Veio de Belo Horizonte há seis anos convidado para trabalhar numa loja de móveis, em Vitória. Quando foi demitido, não encontrando trabalho, com os quatro filhos menores e a mulher para sustentar, resolveu vender coco. Com um carrinho de mão, andava a praia de Camburi, debaixo de um sol de quase quarenta graus. Com muita economia conseguiu comprar uma máquina de gelar e montar um carrinho para transportar e vender o coco. Foi uma grande vitória.

Apesar das dificuldades encontradas gostou da nova profissão. No verão, vende de 120 a 130 cocos diariamente, tendo um bom lucro. No inverno, com o baixo rendimento, tem o apoio da mulher Conceição e de seus quatro filhos. Sai com o carrinho e vende milho verde cozido.
Transporta o coco no carrinho. “É pesado. Mas é tudo de precisão”, diz Alves enquanto fura vários cocos e coloca numa vasilha para gelar. Chegou com cento e vinte cocos e ao final da tarde, vendeu tudo e leva para casa a féria do dia. Trabalha de 9:00 às 21:00horas.

Hoje, recorda das dificuldades que passou, quando os filhos ainda eram pequenos. Verifica quantas coisas mudaram em sua vida, quantas coisas conquistou. Foram anos de dificuldades, mas também de alegrias em família. Francino é um lutador que combate com a arma que tem: o trabalho.

Coluna da Quitéria

O Boom da construção

Preços altos de imóveis dificultam a aquisição da casa própria

O sonho da casa própria é bem real para um casal recém-casado ou o indivíduo que pretende morar sozinho. No Espírito Santo, este sonho está ficando cada vez mais distante para as pessoas de baixa renda por causa do aumento do preço do imóvel. Para quem tem uma renda alta é hora de investir.

Os imóveis na Grande Vitória tiveram um aumento de mais de 100%. Quem comprou seu imóvel há dois anos por R$150 mil, certamente verá que hoje vale o dobro do preço inicial. A cada dia aparecem novos lançamentos de edifícios de apartamentos ou escritórios e grandes construtoras se instalaram no Estado aproveitando esta alta dos preços.



Seminário sobre folclore

O seminário preparatório para o Congresso Nacional de Folclore aconteceu na sala Décio Neves da Cunha, na Ufes, nos dias 11 e 12 últimos. O tema foi Folclore no Terceiro Milênio. Os palestrantes apresentaram trabalhos sobre meio ambiente, indígenas, folclore, comunidades quilombolas e políticas públicas para o folclore. O objetivo do seminário foi elaborar temas, debates e procedimentos que serão apresentados no XIV Congresso Brasileiro de Folclore a ser realizado em 2009, em Vitória.
Este evento foi elaborado pela Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo e pela Comissão Espírito-Santense de Folclore. Estiveram presentes intelectuais do Espírito Santo e de outros estados.



O Balaio do Folclore Capixaba

Para complementar os eventos, o Governo do Estado, com o patrocínio da Vale e apoio da Comissão Espírito-Santense de Folclore, realizou no dia 12 de abril, no Museu Vale em Vila Velha – ES, o Balaio Cultural – uma mostra do Folclore Capixaba. Raças, culturas, danças e tradições se uniram no mesmo lugar. Cores e movimentos embalaram as apresentações do Ticumbi do Alardo, do Congo, da Folia de Reis, do Jongo, do Reis de Boi, das Pastorinhas, do Boi Pintadinho e outras manifestações de imigrantes europeus como danças alemãs, portuguesas e italianas. As tradições passadas de geração a geração, patrimônio imaterial do Estado, foram motivos de alegria, admiração e palmas entre as centenas de pessoas que assistiam.


Palavras valem ouro

Têm palavras que valem muito. Podem derrubar um governo ou elevar as ações de uma empresa. Foi o que aconteceu nesta semana. O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, afirmou que foi descoberta uma reserva de petróleo na bacia de Santos com estimativa de produção de 33 bilhões de barris de óleo. Com isto o Brasil passaria a ser o terceiro maior produtor do mundo. A notícia foi publicada em um jornal americano e no jornal Estado de São Paulo, As ações da Petrobrás subiram com a afirmação. "O pessoal vinculado à Bolsa de Valores não está interessado nisso. Querem ganhar dinheiro", afirmou Lima, numa referência à reação no mercado de ações, em decorrência de suas declarações no jornal.

Deputado Cláudio Vereza no Balaio
Personalidades e intelectuais do Estado estiveram presentes ao Balaio Cultural. O Deputado Estadual e ex Presidente da Assembléia Legislativa, Cláudio Vereza (PT), esteve presente e assistiu com atenção às apresentações. Em entrevista, afirmou a boa vontade da Assembléia Legislativa em aprovar aquele evento. Falou também que se for bem aceito, certamente, se repetirá. As apresentações foram muito elogiadas pelo público.

Entretanto, a mostra de Folclore realizada no Museu Vale não ficou só na cultura. A preocupação com o estômago levou os organizadores a oferecer lanches para o povo. Mesa de churrasquinho de boi, frango e lingüiça, coquetéis, refrigerantes, picolé e pipoca, alegraram o público e os participantes.



”O espaço público parece um espaço de ninguém, porém é um espaço de todo mundo.”
Roberto Rocco - Ambientalista, Diretor da Associação de Serviços Ambientais – ASA e Conselheiro da Fundação OndAzul.



O profissional globalizado

O intercâmbio como opção de crescimento pessoal e na empresa

Cada vez cresce mais o número de profissionais que optam por fazer intercâmbio através da empresa onde trabalham. O que os atrai é a chance de conhecer outras culturas, aprender outras línguas, operar em um novo mercado e ampliar seus conhecimentos. Através desta mobilidade, a empresa exporta mão-de-obra e tecnologia, integrando as unidades do grupo. Para o funcionário, o ponto positivo é que ele terá um bom padrão de vida no exterior. Aqui, no Espírito Santo, empresas como Arcelor Mittral (CST), Vale e Samarco têm utilizado esta prática para melhorar o desempenho de alguns funcionários.
O fenômeno da migração de brasileiros para o exterior é recente e a maioria vive em condição de ilegalidade nos países de destino. Há poucos dados e estudos sobre o tema. Estados Unidos, Paraguai e Japão são os países que possuem maior número de brasileiros e o perfil do migrante difere em cada um destes locais.
Até a década de 1980, a saída de brasileiros para viver em outros países era bastante restrita, sendo significativa apenas a migração para o Paraguai, nos anos 1970, em busca de terra e trabalho no campo. A crise econômica da década de 1980 estimulou a migração de brasileiros para o exterior, fenômeno que permanece até hoje. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, em 1997 havia 1.496.476 brasileiros vivendo no exterior. No ano de 2002, os migrantes já somariam 1.964.498. Portanto, cerca de 2 milhões de brasileiros vivem fora do Brasil, correspondendo a 1% da população brasileira.
Entre estes migrantes, encontram-se profissionais qualificados que vêem no intercâmbio uma forma de adquirir mais conhecimento. Para se desenvolver pessoal e profissionalmente, executivos de empresas multinacionais têm optado por morar no exterior. O programa de mobilidade através de intercâmbio, implantado por algumas empresas, dão a estes funcionários a chance de se desenvolver como gestor, trabalhar na diversidade e adquirir visão internacional. Para ter êxito nesta empreitada, ele precisa ter boa formação técnica, um inglês fluente, gostar de mudanças e ter facilidade de adaptação, flexibilidade e equilíbrio familiar – é importante que a família esteja de acordo. Conhecer bem a sua empresa e se informar sobre o país para onde vai, ajuda na mudança.

Para a empresa, este intercâmbio é uma forma de integrar os escritórios, possibilitando a troca de informações entre eles. O mercado está carente de profissionais que tenham visão e estejam dispostos a mudanças. A empresa investe na capacitação do funcionário para que ele renda mais. Muitos funcionários de empresas capixabas têm aderido a esta forma de intercâmbio através da Arcelor Mittral (CST), Vale e Samarco. Bom para a empresa.

Com um bom padrão de vida, apoio da empresa e junto aos familiares, estes executivos se desenvolvem, adquirem bagagem internacional e ascensão na carreira. Bom para o profissional.

Os dados estatísticos do Ministério das Relações Exteriores falam do número de brasileiros que moram no exterior, sem especificar o número dos que vão pela empresa e os migrantes ilegais. Sabemos, portanto que o número de pessoas que moram ilegalmente fora do Brasil é muito maior do que dos que vão legalmente pela empresa onde trabalham. Estes brasileiros ilegais têm um padrão de vida bem diverso. Vivem longe da família, trabalham em sub-empregos por 14 a 16 horas diárias, não possuem lazer e vivem temerosos de serem descobertos e deportados. São situações diversas, porém ambos possuem o mesmo sonho: a busca por uma vida melhor.

O prazer de um bom papo

Correndo, debaixo da chuva, lá ia eu ansiosa por ver Nelson Motta. Chego à porta do Teatro Carlos Gomes, olho em volta e não vejo minhas colegas Sandra e Gabriela. O trato foi que nos encontraríamos à porta. Olho novamente: ninguém. Rapidamente, entro. Já são sete e meia da noite. Fui pontual. Será que o Nelson será?

Não importa. O importante é poder vê-lo e ouvi-lo. Entro, olho em volta. Procuro um lugar bem perto do palco, quero vê-lo de perto. Olho para trás: ninguém. Elas ainda não chegaram. Será que elas não vêm? Pego o MP3: coloco a pilha e preparo o modo de gravação de som. Espero. Cruzo as pernas, descruzo. Olho o palco, olho para trás. Mexo na bolsa, passo as mãos no cabelo. Que coisa! Que demora! Já se passou um século! Olho o relógio. Só se passaram cinco minutos. Neste mexe, remexe, passa meia hora. A mestra de cerimônia anuncia: - Com vocês, o Nelson Motta. A galera foi abaixo. Foram tantos aplausos que parecia uma banda de rock muito famosa. E ele é mesmo muito famoso. Famoso e carismático. Famoso e sorridente. Famoso com sua camisa de malha vermelha e calça preta.

Testa o microfone: toc, toc. Não funciona. Meu Deus, que vergonha! Chamamos o homem para vir palestrar aqui e o microfone não funciona! Bem humorado ele diz: - É cenográfico. O povo cai na risada. O auditório lotado vê um homem inteligente e carismático discorrer sobre música, festivais, autores e histórias engraçadas de sua própria vida. O povo aplaude e ri a cada fato hilário. Perdeu as ilusões em Nova York. Que pena! Mas foi muito bom. Ah! Não foi classificado para o primeiro festival em 1960. Que Pena! Mas ganhou o Festival Internacional da Canção, concorrendo com músicos do Brasil e do mundo. Que bom!

Fala de seu livro sobre a vida de Tim Maia. Que vontade de ler. – “Fala mais sobre ele”, penso. Não diz mais nada do livro. Ele fala, fala, fala e nós, pobres mortais ficamos apenas a ouvir.

Afinal, cadê minhas colegas? Esqueci delas. Olho pra trás. Não vieram. Perderam uma grande chance de passar duas horas muito divertidas.

domingo, 4 de maio de 2008

Uma mulher de talento


A coragem de uma mulher vencendo todas as barreiras para viver uma nova vida

Olhos rasgados, cabelos tão lisos que não é preciso pentear – não possui pente – fala mansa, tranqüila. É a figura de minha colega de sala. Com a coragem dos (as) grandes homens/mulheres, decidiu mudar completamente sua vida. Mudou de estado, de cidade, abandonou a profissão e se meteu na faculdade de jornalismo, cheia de sonhos e perspectivas. Dúvidas? Tinha muitas, mas resolveu correr riscos. Andou muito para conseguir um lugar para morar. Finalmente conseguiu bem perto da faculdade, aonde vai a pé.
Sandra Lupi Sato é japonesa, nasceu em São Paulo, mudando – se para Belo Horizonte aos 05 anos. Seu pai havia montado uma fábrica de bobinas na capital. Tem dois irmãos mais velhos: um mora em São Paulo, outro no Japão. Aos nove anos ingressou no curso de balé clássico, trabalhando em diversas companhias. Fez apresentações na América Latina, na Argentina, e Paraguai, e na Europa - Espanha e Portugal. Enquanto dançava iniciou a Faculdade de Psicologia. Aos 22 anos, aposentou-se da dança, abriu uma firma de comunicação empresarial on-line e uma sociedade numa produtora que dava assistência a músicos.
Há 04 anos atrás, resolveu passar 10 dias de férias na praia de Guarapari. Três meses depois resolveu residir definitivamente no Espírito Santo. Vendeu as firmas e voltou à Belo Horizonte apenas para buscar suas coisas. Abriu um ponto de suco natural e entrou para a faculdade.
Hoje, estagiando na Faesa, só sente falta dos cachorros que ficaram em Minas e dos famosos cafés.